A filtragem da água é um processo básico para manter o bem estar do nosso aquário, funciona basicamente da mesma maneira como a fotossintese das plantas que elimina toxinas e CO2 do ar e nos devolve oxigênio puro e ajuda a manter nosso ambiente habitavel. A filtragem completa envolve várias etapas as quais abordaremos na seqüencia.
Filtragem Física (ou Mecânica)
Muito da amônia gerada em um aquário se origina da decomposição de matéria orgânica (restos de comida, excrementos, urina, microorganismos, etc). Se pudermos retirar os detritos do sistema em seu estado macroscópico (possivel de se enxergar a olho nu), antes que comecem a se decompor, estaremos contribuindo antecipadamente para a limpeza química do meio.
A filtragem física consiste em retirar as impurezas macroscópicas (orgânicas e inorgânicas) existentes em suspensão na água do aquário pelo método simples de passá-la por um coador. Este tipo de filtragem não é capaz de retirar bactérias e plâncton de reduzidas dimensões, e muito menos substâncias químicas dissolvidas na água, mas impede que material orgânico ainda inteiro seja decomposto na água.
Esta é normalmente, a primeira etapa de um processo de filtragem, sendo o produto da mesma (água livre de detritos), entregue às demais etapas, que assim não correm o risco de sofrer entupimentos físicos.
Diversos materiais podem ser utilizados nessa etapa, tais como esponjas, cartuchos de papel ou fibra ou mantas de material sintético, sendo o mais difundido e utilizado atualmente o Perlon, que pode ser utilizado em camadas, acomodando-se aos mais diversos tipos de filtro e espaços disponíveis para acomodar esta camada de filtragem. Trata-se de um material neutro, não interferindo com as características químicas da água, quer pela retirada que pela adição de elementos.
Podemos utilizar mantas de lã acrílica do tipo usado para o estofamento de móveis em lugar do perlon, para a filtragem física. Este material deve ser limpo a cada 15/30 dias dependendo da capacidade do filtro x volume do aquário, e trocado a cada 3 meses aproximadamente. Obviamente, dependendo das condições locais, este espaçamento entre as datas de manutenção poderá ser modificado.
Nunca deveremos utilizar a lã de vidro verdadeira em filtros, pois esse material solta farpas afiadas (visualmente invisíveis na água), que representam um sério risco de ferimentos para os habitantes do aquário.
É recomendável manter, no mínimo, dois circuitos de filtragem alternativos (particularmente em aquários grandes), para prevenir contra acidentes. Outras vantagens estão no fato de haver captação da água para filtragem em mais de um ponto do aquário, e de oferecer maior segurança quanto à proteção das colônias de bactérias, minimizando problemas caso haja a perda acidental de uma das colônias enquanto se faz a limpeza de um filtro. Manter equipamento(s) de reserva, devidamente ciclados, é uma alternativa válida para quem tem muitos aquários, ou aquários pequenos. Em aquários com injeção de CO2 deve-se procurar agitar a água o menos possível, para não provocar a liberação do CO2 dissolvido.
Filtragem Biológica
Esta é a denominação que se dá as ações nitrificante e desnitrificante proporcionadas pelas colônias de bactérias, fundamentais para a saúde do nosso mini ecossistema. Conjuntamente, as bactérias existentes no aquário (paredes, substrato, plantas, água, etc), e no filtro biológico atuam permanentemente de modo a manter em equilíbrio o meio que sem sua presença rapidamente se tornaria inabitável.
Existem na natureza vários tipos de bactérias capazes de decompor a amônia em compostos menos tóxicos (Nitritos e Nitratos). Elas existem naturalmente no meio ambiente (substrato, plantas, água, etc), e não necessitamos nos preocupar em adicioná-las a nossos aquários. A própria natureza se encarregará disso para nós. Bastará deixar um aquário recem-montado em repouso (com a circulação de água ativa) por algum tempo, que as colônias de bactérias crescerão e se estabelecerão naturalmente por toda a parte, prendendo-se em paredes, cascalho, rochas, plantas, nos elementos do filtro, enfim em toda e qualquer superfície submersa incluindo os próprios peixes e outros organismos.
Estudos recentes mostram que a absorção da amônia pelas plantas aquáticas é muito mais rápida que a absorção dos nitratos, existindo essencialmente uma competição entre plantas e bactérias pela amônia dissolvida. E que as plantas necessitam basicamente desdobrar nitritos e nitratos em amônia que será então absorvida.
As colônias de bactérias necessitam essencialmente de: um local para se fixarem, e nutrientes (Nitrogênio e Oxigênio) para viver. Para a fixação das colônias de bactérias, são utilizados com freqüência anéis de cerâmica porosa ou também as bio-balls, que proporcionam uma grande superfície (externa e interna) possibilitando o estabelecimento de grandes quantidades de colônias de bactérias.
Para a filtragem biológica, podemos substituir os anéis de cerâmica, ou as bio-balls, por pedaços (cacos) de cerâmica porosa, obtidos a partir de velas de filtro quebradas, porém não devemos usar as que têm prata em suas paredes internas, pois este é um elemento, prejudicial ao desenvolvimento das colônias de bactérias. Durante a manutenção do filtro deve-se procurar manter úmidos os seus componentes (anéis, cacos de cerâmica, etc), mantendo-os mergulhados em água, de preferência retirada do próprio aquário e livre de cloro e metais pesados.
Podemos também utilizar mantas de espuma de malha aberta, do tipo utilizado em filtros de aparelhos de ar-condicionado, como elemento de fixação das colônias, na manutenção esta espuma deve ser lavada apenas com água desclorada, e não muito ativamente, para não prejudicar as colônias.
Nunca devemos trocar integralmente (a menos de acidentes por contaminação bacteriana), todos os elementos da filtragem biológica ao mesmo tempo. Quando necessário é recomendável fazer a troca por partes, duas trocas de 50% em 30 dias, ou três de 33% com intervalo de 15 dias.
Não mais utilizar os FBF (Filtros Biológicos de Fundo), considerados hoje mais como causadores de complicações do que utilidade.
A filtragem biológica é normalmente feita após a filtragem física, dessa maneira as colônias de bactérias receberão uma água já livre de detritos, reduzindo-se assim o risco de entupimento dos poros dos elementos de cerâmica.
A filtração biológica ocorre a uma velocidade relativamente lenta comparada com os outros métodos. Assim sua utilização de modo isolado limitaria bastante a quantidade de peixes que poderíamos colocar no ambiente. Por isso ela é normalmente complementada por outros tipos de filtragem que reforçam a capacidade de estabilização do meio.
Filtragem Química
A filtragem química é a remoção de substâncias dissolvidas na água do aquário a nível molecular. Estas substâncias, quanto à sua natureza, podem ser polarizadas (íons) e não polarizadas (moléculas). O método mais empregado para este tipo de filtragem consiste em passar a água por uma camada de Carvão Ativado (CA), que é mais eficiente para a remoção de moléculas, mas que funciona também com alguns íons.
O carvão ativado pode conter elevados níveis de fosfato (nas cinzas internas), que poderá ser dissolvido na água do aquário. Isso é particularmente nocivo aos aquários marinhos, mas também não é bom para os aquários de água doce. Portanto, ao adquirirmos carvão ativado deveremos dar preferência aos especificamente produzidos para utilização em aquários.
Este problema pode ser diminuído fazendo-se a imersão prévia do carvão ativado em água limpa (renovada), algum tempo antes de sua utilização (2 a 3 semanas). Com isso estaremos fazendo uma dissolução prévia do fosfato e outros materiais, porventura existentes, atenuando seus efeitos.
Existe por parte de alguns aquaristas uma preocupação em relação à adsorção pelo carvão ativado de nutrientes minerais vitais requeridos pelo ecossistema do aquário. Ocorre que o esgotamento de nutrientes minerais é algo que ocorrerá tanto em aquários plantados como em aquários marinhos pelo consumo dos organismos vivos, e isso ocorrerá com ou sem a presença do carvão ativado no sistema. Considera-se que os ganhos proporcionados por sua utilização são suficientemente grandes em relação aos prejuízos, para justificar plenamente sua utilização.
A utilização do carvão ativado deve ser suspensa enquanto estivermos administrando algum medicamento, adubação química, etc. Pois o carvão ativado poderá absorver da água os remédios ou alguns produtos químicos de maneira seletiva, prejudicando os resultados pretendidos.
Recondicionando carvão ativado
O carvão ativado já utilizado pode ser (parcialmente) reativado domesticamente aquecendo-o no forno a cerca de 150 oC e lavando-o em água pura sucessivamente. Através deste processo será feita a eliminação dos gases aprisionados, permanecendo porém no interior dos poros as moléculas de material mais pesado (ex.: metais tóxicos), que não serão eliminadas pelo aquecimento, razão pela qual este procedimento é contra-indicado. Apenas em laboratórios, com equipamentos adequados e testes apropriados a recuperação poderá ser feita com segurança.
Felizmente o custo do carvão ativado é suficientemente reduzido, possibilitando-nos usá-lo em quantidades razoáveis. É recomendável lavar bem o carvão ativado antes de utilizá-lo, para remover o pó que sempre se acumula em sua superfície.
Quanto de carvão ativado utilizar é uma recomendação difícil de ser feita, mas se verifica que a utilização de quantidades menores, com trocas mais freqüentes funciona melhor do que o oposto. Como ponto de partida, experimente usar 250ml para cada 150 litros de água, fazendo trocas mensais. Não se deve utilizar carvão comum (vegetal ou animal) em substituição ao carvão ativado.
Além do carvão ativado diversos outros materiais foram desenvolvidos para a filtragem química. Um deles é a argila de zeolita, capaz de remover amônia da água. Útil para emprego por curtos períodos, pode se tornar prejudicial a longo prazo. Interfere também na ciclagem de aquários novos, impedindo a formação das colônias de bactérias.
Outro tipo de substâncias, relativamente recentes, que podem ser utilizadas para a filtragem química são as Resinas Deionizadoras, formadas por materiais (há diversos tipos), que possuem a capacidade de retirar (absorver) íons dissolvidos na água. São bastante eficientes, mas possuem atualmente custos bem mais elevados do que o carvão ativado, possuindo porém em alguns casos a capacidade de absorver substâncias sobre as quais o carvão ativado não tem capacidade de adsorção.
Os filtros do tipo Skimmer possuem pronunciada atuação na remoção de detritos químicos, sendo hoje largamente utilizados em aquarismo marinho.